quarta-feira, 28 de março de 2007

XXVI Encontro de Iniciação à Pesquisa da UFC

A Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Federal do Ceará está com inscrições abertas, até 20 de abril, para o XXVI Encontro de Iniciação à Pesquisa, que será realizado de 14 a 15 de junho, no pátio da Reitoria e salas do Cetrede.

A inscrição será feita, exclusivamente, por via eletrônica neste endereço. Os Encontros têm como objetivo divulgar as atividades de pesquisa realizadas pelos bolsistas de Iniciação Científica, bem como proporcionar integração entre as comunidades acadêmicas da UFC e outras universidades do Ceará que atuam em pesquisas nas diversas áreas do conhecimento.

Poderão inscrever-se alunos de graduação com matrícula regular na UFC e bolsistas de Iniciação Científica das demais instituições de ensino superior do País. Os bolsistas de Iniciação Científica do Programa PIBIC com bolsas do CNPq, da UFC ou da Funcap são obrigados a inscrever trabalho para apresentação.

As apresentações serão através de comunicação oral ou painel, escolha a ser feita no ato da inscrição. Podem ser inscritos trabalhos nas áreas de Ciências Exatas e da Terra, Ciências da Vida, Ciências Tecnológicas, Ciências Humanas e Ciências Agrárias.

quarta-feira, 21 de março de 2007

Visita técnica a obra com unidades de alvenaria cerâmica na Alemanha

Texto e imagens retirados da Dissertação de Mestrado de Dóris Zechmeister. Porto Alegre, março de 2005

Obra localizada na Saxônia, na cidade de Dresden.

Casa geminada de dois pavimentos com unidades cerâmicas

Esta obra, que utiliza unidades cerâmicas, é uma casa geminada de dois pavimentos. A unidade básica utilizada para paredes externas tem formato 12DF, com dimensões reais de 36,5 x 24,9 x 24,7 cm. Pesa aproximadamente 17 quilos e permite uma largura de parede de 37,5 cm. Essa unidade tem ajuste modular bem pequeno, pois é considerada uma unidade com grande precisão. Assim, seu assentamento é feito com junta horizontal fina de 0,1 cm e a junta vertical não é preenchida, pois o encaixe é do tipo macho-fêmea (figura 82).

Entretanto, a vantagem de se reduzir o tempo da mão-de-obra para o assentamento, através da utilização de juntas horizontais mais finas e juntas verticais não preenchidas, neste caso, é perdido pelo desperdício de cortar as unidades para ajuste dimensional. As causas observadas para este fato são:

a) falta de coordenação dimensional do projeto;

b) dificuldade da junta vertical absorver a variação dimensional.

Primeiramente, foi observado que não havia uma coordenação das dimensões do projeto, pois a cada instante o pedreiro precisava parar o assentamento para ajustar a unidade que não encaixava na parede. Para isso, a obra dispunha, na mesma laje do assentamento, de um equipamento específico para cortar as unidades (figura 82).
Segundo o fabricante, estas unidades tinham vantagem sobre outras, pois podiam ser cortadas em até 1 cm de espessura, já é sabido que isto não é uma vantagem, mas uma desvantagem,pois leva a projetos com menor atenção à coordenação modular. Isso realmente foi observado em uma das aberturas (figura 83). Neste caso, ocorreu que a variação dimensional das unidades foi acumulando tanto que foi preciso preencher o espaço que faltava para completar a medida em 1 cm. Observou-se então o segundo problema, a dificuldade da junta atender uma de suas funções principais que é absorver as imperfeições das unidades.

Nessa obra são utilizados alguns formatos especiais de unidades. Por exemplo, na parede divisória entre as residências, é utilizada uma unidade especial para isolamento acústico(figura 84). Essa unidade pesa aproximadamente 17 quilos e tem cavidades verticais que serão posteriormente preenchidas com graute. A junta horizontal também é fina e o encaixe vertical é do tipo macho-fêmea. Para executar essa junta fina é utilizado um carrinho dosador (figura 84).

Outros formatos especiais identificados nessa obra foram (figura 85):

a) unidade de forma para ângulos;

b) unidade de ornamento – usada para revestir a laje apoiada sobre a alvenaria.
Também foi observado que a ligação entre as paredes internas e externas não é feita por transpasse. São usadas gravatas para fazer essa amarração (figura 86).

quarta-feira, 7 de março de 2007

Lista de Normas Alvenaria - ABNT

Nº Nome Data de Aprovação


NBR10837 Cálculo de alvenaria estrutural de blocos vazados de concreto 30/11/1989

NBR12118 Blocos vazados de concreto para alvenaria - Retração por secagem 23/10/2006

NBR14321 Paredes de alvenaria estrutural - Determinação da resistência ao cisalhamento 01/05/1999

NBR14322 Paredes de alvenaria estrutural - Verificação da resistência à flexão simples ou à flexo-compressão 01/05/1999

NBR15270-1 Componentes cerâmicos - Parte 1 - Blocos cerâmicos para alvenaria de vedação - Terminologia e requisitos 31/08/2005

NBR15270-2 Componentes cerâmicos - Parte 2: Blocos cerâmicos para alvenaria estrutural - Terminologia e requisitos 31/08/2005

NBR15270-3 Componentes cerâmicos - Parte 3: Blocos cerâmicos para alvenaria estrutural e de vedação - Método de ensaio 31/08/2005

NBR6136 Blocos vazados de concreto simples para alvenaria – Requisitos 23/10/2006

NBR6460 Tijolo maciço cerâmico para alvenaria - Verificação da resistência à compressão 01/06/1983

NBR8041 Tijolo maciço cerâmico para alvenaria - Forma e dimensões 01/06/1983

NBR8215 Prismas de blocos vazados de concreto simples para alvenaria estrutural - Preparo e ensaio à compressão 01/10/1983

NBR8490 Argamassas endurecidas para alvenaria estrutural - Retração por secagem 01/04/1984

NBR8545 Execução de alvenaria sem função estrutural de tijolos e blocos cerâmicos 30/07/1984

NBR8798 Execução e controle de obras em alvenaria estrutural de blocos vazados de concreto 01/02/1985

NBR8949 Paredes de alvenaria estrutural - Ensaio à compressão simples 01/07/1985

NBR9287 Argamassa de assentamento para alvenaria de bloco de concreto - Determinação da retenção de água 01/03/1986


Fonte: Site ABNT

sexta-feira, 2 de março de 2007

A Moderna Alvenaria Estrutural Cerâmica na Europa.

Professor Odilon Pancaro Cavalheiro
Coordenador do Grupo de Pesquisa e
Desenvolvimento em Alvenaria Estrutural - GPDAE
Universidade Federal de Santa Maria – RS
odilonpc@ct.ufsm.br

Por uma questão cultural, historicamente diversos países do mundo, como Estados Unidos, Canadá e países europeus, entre outros, têm empregado externamente em suas construções alvenaria de tijolos cerâmicos face à vista, maciços ou com perfurações horizontais ou verticais, mas de tamanho reduzido como o que conhecemos no Brasil. Mas, na realidade esta “parede externa” é apenas parte de um conjunto mais complexo, onde na parte interna se tem a verdadeira estrutura (sistema aporticado metálico ou de concreto armado e devidas alvenarias de vedação) e, nos casos de alvenaria estrutural, paredes de blocos de concreto ou cerâmicos, com vazados verticais. Entre estas duas “paredes” existe um contínuo espaço de ar com ou sem material termicamente isolante.

A adversidade do clima nos países citados tem sido o fator preponderante para a adoção de paredes duplas. No Brasil não é usual a utilização de tal composição de parede nas edificações residenciais, salvo casos especiais de obras de alto padrão. O clima tropical e a própria situação sócio-econômica de nosso país são, na realidade, as causas determinantes da utilização quase que exclusiva de paredes simples, em geral com espessura de 14cm mais revestimentos (ou mesmo sem), na alvenaria estrutural.

Mesmo nos países desenvolvidos, a busca por soluções alternativas racionais de menor custo para as edificações tem sido uma constante, junto com as preocupações ambientais e de desenvolvimento sustentado. A moderna alvenaria estrutural começa claramente a ganhar espaços principalmente na Europa. As paredes duplas e os tijolos passam a ser substituídos gradativamente por paredes simples de blocos modulares com vazados na vertical, como na Alvenaria Estrutural brasileira, mas de espessuras maiores.

Um dos mais novos conceitos em alvenaria, desenvolvido ultimamente, é a Alvenaria Rolada. O sistema, utilizado em vários países da Europa, foi criado na Áustria pelo grupo Wienerberger, maior produtor mundial de blocos cerâmicos vazados. A Alvenaria Rolada emprega blocos com superfícies de assentamento retificadas, com precisão de 0,5mm, o que permite aplicação de argamassa de no máximo 3mm de espessura, depositada sobre a área útil do bloco através de um rolo. Estes blocos, desenvolvidos para possibilitar rigorosa isolação térmica, sem necessidade de componentes de isolação complementares, apresentam largura de 375mm, altura de 249mm e comprimento de 250mm.

Sem dúvida, a Alvenaria Rolada, em parede única, representou um avanço em relação ao tradicional sistema de paredes duplas (com isolante térmico), simplificando a execução da parede, tornando-a mais econômica, e sem perda da performance térmica. O consumo de argamassa é bastante baixo, sendo os sacos da mistura industrializada entregues junto com os blocos na quantidade correta, com o custo já incorporado no preço destes, simplificando sensivelmente a gestão destes insumos no canteiro.
Deve-se considerar na Alvenaria Rolada, no entanto, que uma junta tão fina de argamassa, não tem condições de absorver movimentações higro-térmicas e mesmo pequenos recalques de apoio que a estrutura venha a sofrer. Estes esforços deverão ser absorvidos, basicamente, pelos blocos, que pelo seu peso (17,3kg), robustez e resistência à tração, apresentam condições favoráveis para tal. Com blocos mais leves, como os usualmente empregados no Brasil, com largura de 140mm (peso da ordem de 6 a 8 kg), uma junta de argamassa tão fina possivelmente não permitiria um bom desempenho da parede frente aos agentes citados.
Diversos componentes são utilizados na execução das alvenarias de parede únicas, dentro os quais desperta atenção o bloco “multi-ângulo” , pelas possibilidades que o mesmo oferece ao arquiteto para projetar paredes segundo as mais diversas direções. O bloco, na realidade considerado como componente de pilar (possui vazado para colocação de armadura), é facilmente separado em duas partes.

O aspecto mais significativo das informações no presente artigo provém, talvez, da constatação que a moderna Alvenaria Estrutural na Europa começa a ter pontos muito comuns com a Alvenaria Estrutural Brasileira. Aqui não se chegou, ainda, na era dos blocos cerâmicos retificados, mas é inegável, porém, que, por não se ter o mesmo rigorismo de desempenho térmico das edificações européias, as construções em alvenaria no Brasil se tornam mais econômicas e o Sistema de Alvenaria, como um todo, é mais ajustado em termos de coordenação modular, face à utilização de blocos de mesma largura em toda a obra. Isto permite uma amarração mais eficiente e melhora a construtibilidade. Na Europa, como a preocupação maior é a envoltória da edificação, muitas vezes a parede externa precisa ser “rasgada” para permitir a amarração de parede interna e o respectivo isolamento térmico.
A experiência européia com relação à Alvenaria Rolada de juntas finas, aqui retratada de forma muito reduzida, poderá ser útil no sentido de sensibilizar a comunidade da alvenaria cerâmica brasileira, para começar a pensar na possibilidade de produção de blocos retificados e com maior eficiência térmica. Seria necessário, vencida a etapa de retificação dos blocos, profundos estudos teórico-experimentais com relação ao comportamento de juntas finas de argamassa de 1 a 3mm de espessura, em blocos cerâmicos de 140mm de largura e grande área de vazados, como os usualmente empregados no país. O desenvolvimento de misturas de argila com materiais capazes de gerar vazios após a queima, aumentando a porosidade do material poderá, por si só, ser uma linha de pesquisa a ser perseguida para obtenção de blocos de melhor desempenho térmico.